P5: Doutrinas

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Doutrinas

A análise de negócios nos moldes que estamos discutindo é algo novo e ainda estamos longe de bater o martelo a respeito do seu escopo completo e exato. Temos pessoas e organizações estudando e trabalhando diariamente em busca desses padrões. Como existem diferenças entre o que eles estão pregando, eu prefiro emprestar o termo da área de direito e chamá-las de “doutrinasâ€.

Howard Podeswa

O Howard trabalhou muitos anos como analista de sistemas em empresas de diferentes países e com o tempo foi sentindo mais necessidade de entender o domínio do problema. Com isso, ele desenvolveu o que chama de ITBA, ou, analista de negócios de TI. Seu método é bastante pragmático e é muito interessante para quem deseja aprender a utilizar a UML no desenvolvimento e comunicação dos requisitos e não apenas de especificações.

Ele faz um uso magistral dos recursos como diagrama de entidades, atividades, objetos e máquinas de estados ainda dentro dos requisitos. Ele chama isso de “BOOM†– Business Object Oriented Modeling. Vamos falar sério, o mundo é composto por objetos. Se até os sistemas que se baseiam nos negócios são orientados a objetos, por que não orientar a própria modelagem dos negócios? Experimente, pegue qualquer negócio e mapeie as suas entidades como classes, fica muito legal. Para fazer cenários, use um diagrama de objetos.

Todavia ele pensa pouco em modelagem de negócios como definimos anteriormente. Ele se concentra mais no projeto em mãos.

Se você trabalha em uma área de desenvolvimento e precisa colocar ordem na casa rapidamente, sugiro que faça um copy and paste no processo que ele prega e então faça seus ajustes. Só lembre de deixar as iterações pequenas, por favor. Aquela documentação cheira à cascata.

O seu livro, “UML for the ITBA†traz o método completo explicado com base em um caso real. Para termos uma idéia do foco do Howard, ele acabou de lançar um guia completo de ferramentas para o analista de negócios do tipo abra e use.

Atualmente, além de escrever (e pintar quadros), ele possui uma empresa de consultoria e que licencia os direitos da sua metodologia para empresas que oferecem treinamentos no Canadá e Estados Unidos.

Howard é um dos revisores do BABoK. Eu tive o prazer de visitá-lo em Toronto em 2008, sujeito gente finíssima, pena que não se envolve muito em blogs e grupos de discussão, pois traria uma contribuição muito rica. Lembro que modelamos um pequeno sistema em um pedaço de papel em um restaurante.

Quem gosta de modelar modela em qualquer lugar.

IIBA – International Institute of Business Analysis

O instituto internacional de Análise de Negócios surgiu no Canadá faz pouco tempo e tem como missão a divulgação a análise de negócios e a definição de um corpo de conhecimento da área.

O principal produto do trabalho do IIBA é o BABoK (Business Analysis Body of Knowledge) que na verdade é um “listão†que apresenta resumidamente (as vezes demais) as responsabilidades e técnicas utilizadas pelo analista de negócios.

A tarefa de reunir esse conhecimento e principalmente decidir o que está ou não no escopo do Analista de Negócios é bastante complexa e no caso do IIBA envolve centenas de profissionais. A versão oficial do BABoK é a 1.6, mas a 2.0 já ficou disponível por um tempo para avaliação, foi retirada do ar (no meu site existe uma versão não autorizada para download) e está demorando para sair. Eu acho a versão 1.6 mais tragável, a 2.0 está tão “listão†que quando vejo estou lendo mecanicamente, mas é um baita conteúdo.

Essas coisas quando surgem lá na América do Norte ficam meio de cima para baixo, distantes, contudo, foi aberto um capítulo do IIBA em São Paulo no qual estou botando muita fé.

O objetivo é divulgar pra valer a análise de negócios. Se você estiver interessado em contribuir, é só entrar em contato, 2009 é o ano para fazer acontecer. Em breve o capítulo passará a inscrever membros, participe! Também há indícios da formação de um capítulo no Rio de Janeiro.

Paulo Vasconcellos

O Paulo Vasconcellos, em minha opinião, é a referência para análise de negócios no Brasil e ponto. Eu poderia dizer isso devido ao conhecimento e experiência que ele possui, contudo, credito essa posição à coragem que ele tem para colocar a cara para bater.

Ele formatou um conteúdo baseado em muito estudo e nas suas experiências de muitos projetos, bons e maus, e criou oficinas de formação para analistas de negócio as quais ele vem ministrando em todo Brasil e que sofrem constantes evoluções conforme ele vai estudando ou mesmo aprendendo com as trocas de idéias que ocorrem nessas oficinas.

Temos algumas divergências conceituais ainda sendo trabalhadas, entretanto posso dizer que evoluí e muito graças tanto às oficinas quanto aos embates que acontecem no grupo de e-mails que ele mantém para as pessoas que participam das oficinas.

Este texto conta com o meu ponto de vista a respeito da análise de negócios, contudo, muito, mas muito ali foi influenciado pelo Paulo, e por isso sou grato. Está longe de ser uma obra original.

Outro grande mérito do Paulo é o foco que ele dá para a modelagem de negócios. Ele foi quem a colocou no mesmo patamar da engenharia de requisitos pra valer. O Howard passa meio longe disso, o BABoK destinou tão pouco espaço que o Paulo chegou a chamá-lo de “REBoKâ€. Agora que você leu a parte que fala sobre ela deve estar concordando que ela merece carinho (além do jantar e do cineminha).

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